Uma breve análise do Complexo de Édipo no Menino

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Por Andreia Rodrigues dos Santos1

Por volta dos 3, 4 anos a criança já teve experiências de perder objetos que achava vitais em sua vida, ou seja, a criança edipiana é perfeitamente capaz de se representar à perda de um objeto que lhe era importante e temer que isso se repita. Nessa fase o prazer do menino já é voltado para o pênis. Representante do desejo o pênis é então dito falo. Falo não é o pênis enquanto órgão – falo é um pênis fantasiado, idealizado, símbolo da onipotência e de seu avesso, à vulnerabilidade.


- Os três desejos incestuosos: Quando o menino se vê excitado sexualmente e orgulhoso de seu poder, esse menino de 4 anos se vê desejoso de ir de em direção ao Outro, em direção aos seus pais (ou tutores). Sexual, quer dizer mais que genital, sexual quer dizer: ‘Deixa-me olhar teu corpo nu! Arranca-lo, senti-lo, beija-lo, devora-lo e ate mesmo destruí-lo. A criança deseja os corpos daqueles que ama: o pai, a mãe, o adulto tutelar; numa tentativa infantil de realizar em desejo incestuoso irrealizável, cujo objetivo não é o prazer em si, mas o gozo – o gozo nesse termo seria a fusão total. No desejo incestuoso mítico no menino (desejo de possuir o outro, desejo de ser possuído pelo outro e desejo de suprimir) o menino cria fantasias que lhe dão prazer ou angustia, mas que satisfazem imaginariamente seus loucos desejos. A fantasia tem como função substituir uma ação ideal que tenta proporcionar um gozo não-humano por uma fantasia que baixa a tensão do desejo e suscita prazer, angustia ou ainda outros sentimentos penosos. A queda da tensão psíquica também pode se traduzir por um sofrimento consciente. As sensações despertam o desejo, o desejo remete à fantasia e a fantasia se atualiza através de um sentimento, um comportamento ou uma fala: dai entra a análise. Vamos as fantasias: fantasia de possuir o outro: fantasia de possessão, ex: apoderar-se da mãe e tê-la só para si; fantasia de ser possuído pelo outro: criança tornar-se objeto (criança imagina-se possuído – a criança seduz para ser seduzida e na fantasia se isso prevalece causa uma histeria masculina difícil de ser tratada chamada de pedra de castração; fantasia de suprimir o outro: tomo pra mim.

- As três fantasias de angustia de castração: as fantasias de prazer também desencadeiam profundas angustia – o menino tem ser punido – seu maior medo é perder o falo que ele tem- essa angustia é inconsciente, ela nunca deixa de ser inconsciente. A angustia é o avesso do prazer, apesar de indissociáveis. A castração é tudo aquilo que me tira o prazer, é a frustação. O Édipo mal resolvido suscita as neuroses adultas, a evitação da castração causa neuroses, tiques, manias, perversões. A angustia de castração e o seu retorno como recalcado na vida a adulta é a medula espinhal da neurose masculina.  O prazer e o medo de ser punido esta na base dessa neurose, logo o Édipo é uma neurose.   O menino ao ver o corpo nu de uma menina percebe que ela não tem um pênis, com isso o menino acha que a menina fez algo e perdeu seu pênis, desde então o menino deve com medo de perder o seu também, logo ao inverso da fantasia de prazer, tem-se as três fantasias de angustia: se a angustia é possuir a mãe= o pai pode castrar (pai repressor); se a angustia de prazer é de sedução (de ser possuído pelo outro) – pai sedutor castra. O pai é um amante que o menino deseja – o castrar aqui significa perder a virilidade, tornando-se mulher objeto do pai; se a angustia de prazer é uma fantasia de afastar o pai rival – a ameaça incide novamente no pênis-falo (pai odiado).

A resolução do complexo de Édipo no menino: a dessexualização dos pais: angustiada, a criança se esquiva dos pais para manter seu pênis-falo. É o pênis que ele protege e é a mãe que ele abandona. Ao renunciar a mãe, dessexualiza globalmente os dois pais, e recalca os desejos, fantasias e angustias. Aliviado, pode agora abrir-se á outros objetos de desejo, mais legítimos e adaptados as suas possibilidades reais. Para o homem, o sexo, a virilidade e a força são coisas a serem defendidas a todo custo, e quando esse complexo mal resolvido retorna como neurose, a culpa e o medo colocam o homem numa posição onde as possibilidades permeiam ao pai castrador, ao pai rival e ao pai odiado.

Os frutos do Édipo: o supereu e a identidade sexual: o supereu é instituído graças a um gesto do psiquismo: o menino abandona os pais como objetos sexuais e os mantem como objetos de identificação. Na impossibilidade de tê-los promete ser como eles, e os sentimentos que exprimem são pudor, senso de intimidade, vergonha e delicadeza moral.

¹Aluna do Programa de Formação em Psicanálise da EPP.

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