Entre 50 Tons de Cinza e Animais Fantasticos e Onde Habitam

Por Ingrid Ramos1 

Os sites de relacionamentos são canais que nunca estão em baixa, só aumentam. Os prazeres momentâneos são caminhos que levam às portas da imaginação onde o personagem principal e a satisfação nunca é o outro.

O encontro é uma ferramenta para ser o que lhe é proibido e julgado numa sociedade de liberdade e paradoxos.
 

Relacionamentos Marginalizados

Entre a falta de cor de Christian Grey e os obscuros de “Animais Fantásticos e onde habitam” reside a tristeza e a solidão em si mesmo. De que vale um conto de fadas moderno aonde o príncipe vem buscar sua linda princesa num helicóptero se falta o que é essencial? Muitos podem pensar que a história das tonalidades de Christian está apenas num romance bem longe da nossa realidade, porém há outros temas que devem ser olhados como:  Confiança, atenção, gentileza, compromisso e cuidado, características aparentemente simples, mas que colocam em cheque as relações modernas (De longe estou dizendo que o livro ou o filme é uma pérola, mas vocês entenderão no final).  A parte Grey de Crhistian quando ativada foge do controle, assim como os Obscuros da história de “Animais Fantásticos e onde habitam” que apresentam um potencial e talento acima da média. Este indivíduo é reprimido e afastado da sociedade mediana com suas convenções e mentalidade ou talvez possamos dizer, provincianas. O filme é infanto-juvenil, mas os personagens principais são adultos, as crianças e adolescentes (que mal aparecerem) são um exército manipulado pelo preconceito, são treinados para julgar, apontar e excluir. Adultos que vivem numa sociedade paralela e que se apoiam uns nos outros como seres da mesma espécie criando um apego quase essencial.

 

O meio e o Sujeito

Duas obras contemporâneas que passaram dos livros para a grande massa do cinema tem seu nascimento nesta sociedade fragmentada, de traumas e necessidades a serem satisfeitas imediatamente para alimentar grandes vazios, a busca por parceiros em contra ponto a reserva de sua natureza é cada vez mais comum. A liberdade trouxe consigo a opressão, o julgamento, a solidão criando caminhos para portas de emergência que podem ser quartos vermelhos ou maletas que nos levam a um mundo completamente diferente e melhor do que este que vivemos.

Estas duas obras que em sua reprodução e temas nada tem de semelhante entre si conectam-se no ponto de seu tempo de produção, ambas surgem no inicio do século 21 e como os clássicos também representaram sua época não seria diferente agora já que analisamos e vemos uma obra pelo prisma daquele que a produziu e a reproduziu. Por estas duas obras basta olhar em volta e ver se condiz com a sociedade moderna.

No próximo mês de abril (10/04/17) inicia-se o curso de psicanálise e cinema, onde será trabalhado a análise de obras cinematográficas em contextos sociais, época e os indivíduos presentes nestas obras com suas manifestações em dados momentos com abordagem psicanalítica.


1Profª graduada em Letras (português e espanhol), pós-graduada lato sensu pela União dos Cursos Superiores-SEB em: Linguística e Ensino de Línguas. Atualmente leciona língua portuguesa, espanhol e literatura.

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