Luz, Câmera e Divã

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Por Ingrid Ramos1

A formalidade no falar e a cor branca por todos os pontos onde os olhos batem não ajuda quando se trata em encontrar seu melhor amigo depois de anos. Definitivamente os consultórios médicos são gelados e esfriam todos os sentidos.

Ter o livre árbitro sobre a vida e até mesmo sobre a própria morte como o personagem Julián (Ricardo Darín) no filme “Truman” (2015) trás a tona o olhar particular sobre uma cena que pode ser analisado sobre prismas diferentes. 

Observar é ir além do aparente, é manter algo seguro e guardado até que possa ser filtrado. Contar uma história e receber uma história é colocar as cartas na mesa e estar disponível.  A palavra história quer dizer narrativa, registro e aprendizagem através de indagações, as mesmas que um diretor de cinema faz quando está frente a um belo roteiro ou o psicanalista que busca a raiz do efeito problema de seu paciente. 


Sob qual olhar iremos indagar?

Cabe ao diretor de cinema a preocupação quanto à execução do roteiro para que as informações e mensagens sejam passadas da melhor forma possível, mas é claro que parte deste trabalho tem muito a ver com a identidade do próprio profissional que faz as escolhas sobre características artísticas e profissionais carregadas de pessoalidade onde o intuito é transmitir a mensagem, deixando a contribuição, o pensamento e/ou angústias e discussões, o trabalho termina quando é exteriorizado. O trabalho do psicanalista começa quando as mensagens são exteriorizadas para só então serem trabalhadas.

O filme Truman conta a história de Julián que decide abrir mãos dos desgastantes tratamentos de câncer para morrer naturalmente. Tomás (Javier Cámara) amigo de longa data de Júlian após anos de separação ao saber da noticia e resolução do amigo decide passar alguns dias com ele na finalidade de fazê-lo mudar de ideia. O ponto de vista está junto a Julián que nos dá argumentos para seu ato, mas este olhar poderia ser através do amigo (Tomás), ou do filho (um jovem universitário que vive em outro país), ou mesmo da ex-mulher e assim, teríamos outra história. Ao analisar uma obra vemos através dos olhos daquele que nos conta e o psicanalista precisa ir além daquele que conta a história.


Inicio da Sessão:

A psicanálise no cinema permite expandir a observação e consequentemente os conceitos, ir além do aparente e mergulhar em outros universos que transitam e interferem diretamente naquele primeiro olhar que nos foi apresentado.  Por cinema entendemos um determinado sujeito, numa determinada situação que terá uma determinada atitude baseada em seu universo particular e é deste ponto em diante que a nossa jornada começa.


Dia 10/04/2017 inicia o curso de: Cinema e Psicanálise: Possíveis e Impossíveis Aproximações na EPP (Escola Paulista de Psicanálise).

1Profª graduada em Letras (português e espanhol), pós-graduada lato sensu pela União dos Cursos Superiores-SEB em: Linguística e Ensino de Línguas. Atualmente leciona língua portuguesa, espanhol e literatura.

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