Loverboy - crítica de cinema

Por Sandra Valeriote 1

Emily, filha única, na infância convive em um ambiente onde percebe os pais vivendo em um mundo da fantasia. Ela convive harmoniosamente com os pais, porém não participa do mundo deles e nem faz cobranças para que eles venham participar do seu. Passa a venerar uma mulher adulta, que lhe transmite a existência de um mundo real. Porém essa desaparece causando nela uma intensa sensação de abandono.

 

Emily acaba sendo abandonada também pelos pais, no caso desses através de suicídio - que demonstrou terem os dois partidos como num “conto de fadas”. Além, é perceptível que a existência dela, na decisão do suicídio, não foi levada em consideração.

Ela chega a fase adulta com duas necessidades em nível extremamente elevado -  em uma demonstrava possuir a extrema necessidade de não se apegar a mais ninguém na vida, em outra a extrema necessidade de ter alguém que pertencesse somente a ela.

Emily obtêm sucesso em relação a primeira necessidade – não se apega a ninguém! Para a segunda necessidade ela identifica estará concretizando ao “produzir” um filho... Nesse caso, falhando a tentativa de engravidar artificialmente, e tendo que partir para a gravidez com contato humano, para não correr riscos em relação a apego ela estuda como a aranha descarta os seus machos, para assim fazer.

Ela consegue engravidar, como também manter sua necessidade saciada durante os 6 primeiros anos de vida do filho; mas o filho começa a descobrir a vida real, se interessa por essa, identifica ser um ser pensante, e se opõe fortemente ao mundo fantasioso estabelecido pela mãe.

Pois bem! A própria Emily sabe da existência de dois mundos: o real e o imaginário. E, ela própria identifica sua não vivência no mundo real – considerando esse um mundo anormal. Nesse caso, é perceptível a influência dos pais nesse entendimento que ela carregou para a fase adulta. Ou seja, ela não participou do mundo dos pais na infância, mas na fase adulta fez a escolha que eles fizeram - de viver no mundo da fantasia.

A impressão é que por mais que ela não tenha participado do mundo fantasioso em que os pais viviam, pelo menos nesse mundo foi onde ela identificou a existência da “felicidade eterna”...  Tendo em vista que a única pessoa que ela teve um grande apego fora desse mundo a abandonou sem nenhuma explicação, causando-lhe uma intensa dor.

Então, não havendo nenhuma demonstração da parte dela de desejar vir a ter alguma interação com o mundo real, o filho, já decidido em não mais viver no mundo fantasioso, acaba causando (sem saber, pela questão de ainda se encontrar na infância) que ela decida que o melhor caminho seria prendê-lo no mundo da fantasia, através da morte – que para ela (parecia) nada mais era que um “dormir” felizes para sempre como num conto de fadas. Ou seja, do mesmo modo que ela entendeu ter acontecido com seus pais.

Concluo com o pensamento de que Emily corria um sério risco, pela “obsessão” que passou a dominá-la, de assassinar alguém, se preciso fosse, para proteger o mundo que ela criou para viver com aquele que ela gerou para possuir [o filho]. E, essa possibilidade ela demonstrou ao matar uma ave que o filho veio a gostar.

1É psicanalista formada pela EPP.

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