
artigos para inspiracaoO brincar e a realidadePor Ale Esclapes As origens do brincar estão na necessidade do ser humano trabalhar seus conflitos, especialmente com seus pais. Conforme vai tomando consciência de seus pais (um bebe não tem a menor noção que possui uma mãe separada dele) surgem sentimentos como medo da dependência de um outro ser (um filho depende de seus pais e isso não é um sentimento que o ser humano goste muito), ódio quando os pais não fazem o que a criança deseja, não ser o centro do universo, etc ... A brincadeira é nesse sentido um instrumento terapêutico para a criança, permitindo que ela elabore seus conflitos. Criança que não brinca não tem essa oportunidade de se preparar para a vida, e pode ir para a idade adulta despreparada. Aquele que não resolveu conflitos básicos na brincadeira tende a resolve-los na idade adulta. Mas uma coisa é brincar no playground, outra é brincar (elaborar seus conflitos) no trabalho ou no casamento. A qualidade da brincadeira nesse sentido é muito importante. Brincadeiras que estimulem o sentido, permitam a fantasia e possibilitem interação social com outras crianças são essenciais para o bom desenvolvimento do sujeito. Crianças que passam o dia trancadas em casa ou em apartamentos, com televisão (que em si não permite qualquer interação da criança) e vídeo games (geralmente em quantidade de horas desmesurado), ou mesmo brincando com babás (e não com outra criança) não têm um meio ambiente propício para a brincadeira sadia (essa que elabora os conflitos internos). Outro ponto importante é que brincar não tem nada a ver com orçamento familiar. Uma criança é capaz de brincar com paus e pedras. Uma vassoura pode virar um cavalo, o arranhador do gato pode virar um castelo. A brincadeira serve justamente para isso – estimular a criatividade e a imaginação. Uma criança que diz somente poder brincar se tiver o brinquedo X, Y ou Z está nos dizendo que somente será feliz se tiver o carro X, a casa Y e o emprego Z. Em outras palavras tende a ser tornar um adulto com pouca criatividade, imaginação, e jogo de cintura – infeliz! Vale lembrar que o brinquedo em si não tem nada a ver com o amor dos pais. O tamanho da bicicleta não reflete o tamanho do amor dos pais pelo filho. Amor não se mede por coisas materiais. Não adianta querer suprir a ausência com brinquedos caros – amor acima de tudo é presença. Substituir amor por brinquedo ensina a criança que nossas carências emocionais podem ser supridas por uma boa sessão de compras no shopping. Finalmente quem não brinca leva a vida muito a sério. O adulto não deve perder a sua capacidade de reinventar o cotidiano como uma criança cria uma brincadeira nova a cada dia. Reinventar um trabalho novo com os mesmos instrumentos ou um casamento novo a cada ano com o mesmo parceiro esta diretamente ligada a nossa capacidade criativa. Só não vale o adulto confundir brincadeira com leviandade.
|
Para entender melhor esse assunto visite nossa página 'cursos e eventos' |
Copyright © 2008 - All Rights Reserved
www.a psicanálise.com