Por Alê Esclapes1

Hoje em um programa de televisão dedicado ao mundo dos negócios – isso por si só coloca esse programa fora dos parâmetros do que poderia se chamar vida como ela é – dedicou uma de suas matérias ao tema: “voluntariado” e trouxe uma “especialista” em RH, com cargo “XPTO” em alguma associação (todo especialista que se preze tem algum cargo importante em alguma associação que ninguém ouviu falar).

Lá pelas tantas o apresentador perguntou se a pessoa deveria buscar um trabalho voluntário dentro da empresa ou fora dela. A especialista responde, com a maior segurança possível (como pede esse tipo de situação), que a pessoa deveria analisar se identifica-se com a proposta de voluntariado da empresa, pois é importante que ela goste e se engaje neste propósito. Caso isso se confirmasse, seria “ótimo”, pois o funcionário poderia realizar uma série de “networks”, trabalharia com chefes de outros departamentos, etc... Outros conselhos nesse sentido também foram dados, mas é dispensável citá-los.

Dando seguimento ao livro “Onde Foi Que Eu Errei?”, Dr. André Marroig, em sua nova obra “Continuo Errando?” nos leva a uma série de reflexões sobre o mundo contemporâneo, as novas posições vivenciadas por homens e mulheres no jogo parental e suas consequências. 

Elucidando os possíveis destinos das pulsões e suas consequências, bem como as fases do desenvolvimento infantil, usando como base a teorização freudiana, winnicottiana, lacaiana e de Françoise Dolto, o autor capacita um olhar diferenciado para o exercício da maternidade e da paternidade e suas vicissitudes.

Data/ Horário: 31/10/2014 - 18:30hs. 

Local - Auditório da Livraria Martins Fontes Paulista: Av. Paulista, 509, (ao lado do metrô Brigadeiro) São Paulo/SP. 

Público Alvo: Evento gratuito e aberto ao público em geral (entrada franca). Após a palestra o autor autografará as obras adquiridas.

Neste encontro Zilton F. Salgado analisou "A Transsexualidade nos Anúncios de Cinema" ao longo dos últimos 50 anos.

O evento ocorreu em 19/09/2014 às 19:30hs no Auditório da Livraria Martins Fontes Paulista - São Paulo/SP. 

Av. Paulista, 509, (ao lado do metrô Brigadeiro) São Paulo/SP (evento gratuito e aberto ao público em geral com entrada franca).

(Foto: #Diagramativo)

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(Foto: #Diagramativo)

Por Sérgio Rossoni1

“A atividade interpretativa do psicanalista leva aos insights do analisando, sendo que a lenta elaboração dos mesmos é que irá possibi litar a obtenção de mudanças psíquicas, obje tivo maior de qualquer análise”ZIMERMAN, DAVID E. Manual de Técnica Psicanalítica Porto Alegre: Artmed, 2004. (Capítulo 18)

Zimerman classifica os insights em: intelectivo; cognitivo (clara tomada de conhecimento, por parte do paciente, de atitudes e características suas que até então estavam egossintônicas); afetivo (a cognição, muito mais do que uma mera intelectualização, passa a ser acompanha da por vivências afetivas, tanto as atuais quan to as evocativas, possibilitando o estabeleci mento de correlações entre elas; reflexivo(insightins titui-se a partir das inquietações que foram pro movidas pelo insight afetivo, as quais levam o analisando a refletir, a se fazer indagações e a estabelecer correlações entre os paradoxos e as contradições de seus sentimentos, pensa mentos, atitudes e valores;  pragmático (uma bem-sucedida elaboração dos insights obtidos pelo paciente, ou seja, as suas mudanças psíquicas, deve necessariamente ser traduzida na praxisde sua vida real exterior, assim que a mesma esteja sob o controle de seu ego consciente, com a respectiva assunção da responsabilidade pelos seus atos. 


Por Luiz Felipe Pondé1

Meu Deus, como ter um "eu" cansa! Os místicos têm razão. Não é necessário ser um "crente" para ver isso, basta ter algum senso de ridículo para ver o quão cansativo é satisfazer o "eu". E a modernidade é toda uma sinfonia (ou melhor, uma "diafonia", contrário da sinfonia) para este pequeno "eu" infantil.

Outro dia, contemplava pessoas num aeroporto embarcando para os EUA com malas vazias para poder comprar um monte de coisas lá.

Que vergonha. É o tal do "eu" que faz isso. Ele precisa comprar, adquirir, sentir-se tendo vantagem em tudo. O "eu" sente um "frisson" num outlet baratinho em Miami. O mundo faz mais sentido quando ele economiza US$10. E o pior é que, neste mundo em que vivemos, faz mesmo sentido. Qualquer outra forma de sentido parece custar muito mais do que US$ 10.

Por Tatiana Mestriner Costa¹

Há várias razões que levam um casal à adoção. Contudo, indepedente de qual seja o motivo (infertilidade, baixa fertilidade, etc), é importante que o casal e cada indivíduo faça um luto pelo filho biológio, ou seja,  cada um dos cônjuges que quer adotar uma criança  precisa abrir mão desse sonho comum, de um  filho que tenha  características suas  e características das suas famílias respectivas.

O filho adotivo não vem de fora, deve vir de dentro, é o filho que  é “gestado” no psiquismo de seus novos pais.

Como vimos em Winnicott a família é a reunião entre um casal mais uma criança. A existência e a preservação de uma atmosfera familiar resultam do relacionamento entre os pais no contexto social em que vivem. Os pais precisam dos filhos para desenvolver seu relacionamento.

Existe uma fantasia consciente ou inconsciente dos pais e para que não haja a desintegração familiar  é importante que cada um dos cônjuges  faça um  luto pela impossibilidade de dar ao parceiro o fruto do amor que os une e/ou por ficar em dívida com seu cônjuge, caso este esteja abrindo mão de gerar ou gestar.

Os casais que adotam crianças sabem como essas são capazes de preencher uma lacuna nas necessidades imaginativas que se originam no casamento.

Ocorre que na maioria das vezes,  antes de decidirem pela adoção, os casais inférteis já fizeram inumeras tentativas infrutíferas em  clínicas de reprodução humana, o que lhes custou  tempo, dinheiro e sofrimento. Esse processo vivido muitas vezes acaba dificultando  o trabalho do luto pela criança biológica.

Por Paula de Freitas Marcondes¹

Se a base saudável de nosso psiquismo vem de nossa infância e se situa mais especificamente na mãe suficientemente boa, segundo Donald Winnicott, como devemos analisar uma pessoa que foi inicialmente abandonada por sua progenitora? Qual a possibilidade de reparação para este abandono inicial? A mulher que adota pode vir a ser esta mãe boa o suficiente? Portanto, como se falar em adoção a partir de teorias psicanalíticas?
    
Entregar uma criança para adoção pressupõe mil justificativas, mas o que podemos perceber como mais comuns são:

1) Esta criança não era desejada;
2) Essa mãe não tinha condições psíquicas de lidar com um filho;
3) Situações sócio-econômicas levaram a tal decisão.
    
Portanto, nem sempre a criança foi totalmente rejeitada, mas sim a necessidade de criá-la é que não pode ser atendida. Através dos estudos do módulo de Dinâmicas Familiares pretendo achar respostas para as indagações iniciais.
    

Por Pe. Ernani Maia dos Reis¹

Segundo Melanie Klein, já no início da vida o bebê vivencia ansiedades provenientes de fonte internas e externas, sendo que as internas são provenientes da pulsão de morte, dando origem ao medo de aniquilamento que é a causa primária da ansiedade persecutória. O nascimento é a experiência padrão para todas as ansiedades posteriores, pois é sentido pelo bebê como um ataque por forças hostis, isto é, como perseguição; o bebê é “despido” de sua onipotência e plenitude intra-uterina e submetido a diversas privações, à incompletude e à não plenitude: passa a ter inúmeras necessidades a a depender de um outro, a mãe.   Atacado por forças hostis, internas e externas, fundamenta-se a primeira posição psíquica, a esquizo-paranoide, quando tais forças são sentidas como perseguição; portanto, a ansiedade prevalente é a persecutória.

O seio materno, que adquire caráter simbólico, é, inicialmente, distinguido entre seio bom e seio mal, conforme sera gratificante ou frustrante e, assim, o bebê orienta para um e outro o seu amor e o seu ódio (instintos libidinais e agressivos). Sendo assim, o seio gratificador é sentido como bom e amado; o frustrante é sentido como mau e odiado. Essa cisão se dá devido à falta de integração do ego.

AAAAAoZ5htYAAAAAANpYOAPor Diego Rafael Schmidt1

A eficácia de um tratamento nem sempre é equivalente ao seu tempo de duração. Nesse sentido, a Terapia Breve de Orientação Psicanalítica (T.B.) foi desenvolvida a partir dos trabalhos de Freud, considerado seu pioneiro, e cujas primeiras análises eram feitas num curto período de tempo. No entanto, assim como naquela época, muitos pacientes até hoje possuem várias necessidades que contrariam os princípios da análise tradicional, como o desejo pela melhora imediata, a disponibilidade de tempo, horários e condições financeiras, entre outras, que os impede de se submeterem a esse processo complexo.

Com as contribuições iniciais de Sándor Ferenczi e Otto Rank, o objetivo de diminuir a extensão do processo analítico ganhou mais destaque dentro da psicanálise, dando lugar à elaboração de um método que pudesse provocar e acelerar a investigação do material psíquico do paciente.
Nesta forma aprimorada de psicoterapia, os pacientes eram estimulados de forma mais ativa e flexível, porém ainda assim cuidadosa. Esse princípio é válido atualmente e, se usado de forma errada pode ser mais prejudicial do que terapêutico. Para que isso não aconteça, torna-se necessária a tomada de algumas precauções por parte do analista, assunto que será tratado resumidamente nas linhas abaixo.

Por Ale Esclapes¹
aids

Quem aqui se lembra da última campanha desse ano em relação ao combate e prevenção à AIDS? Será que foi no carnaval? Lembro-me bem que na década de 90 esse tema era comum no rádio, na TV, em revistas, jornais, etc. , não apenas no carnaval, mas o ano todo. Foi assim que campanhas educativas reduziram o índice de contágio.

Hoje temos uma geração que não viu essas campanhas, não viu a morte de Cazuza, Renato Russo, Henfil, etc. e tão pouco estão expostas à campanhas educativas. Segundo o secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, o atual aumento do número de contaminados no Brasil (11% entre 2001 e 2013), deve-se ao aumento na população gay. A Unaids é um pouco mais específica e aponta que 1/3 dos infectados na América Latina é de jovens gays entre 15 e 24 anos. Veja reportagem em http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,apesar-de-queda-mundial-novas-infeccoes-por-hiv-sobem-11-no-brasil,1529538 .

Mas porque esse grupo hoje é tão vulnerável? O que não está dito nas entrelinhas dessas notícias? Primeiro não está dito que essas campanhas diminuíram sensivelmente no período analisado. O atual governo tem em sua base de apoio a chamada “bancada evangélica” que tem forte influência no Ministério da Saúde. Na mesma reportagem o ativista Rodrigo Pinheiro fala em “forças conservadoras”, mas tudo isso acontece sob as égides de um governo de esquerda (que há trinta anos se diz ao lado dos GLBT´s). Logo, um dos fatores que está condenando nossos jovens é um projeto de poder.

Em nosso último encontro contamos com a presença de Juliana Breda (fotos logo abaixo), aluna da EPP e membro do Instituto Sándor Ferenczi. Em sua palestra "Psicanálise e Sexualidade" forão abordados aspectos como: satisfação, prazer, libido e diversidade sexual. Confira as fotos abaixo.

(Foto: #Diagramativo)

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1474620014 66df4e0701Por Hélio Rebello Borges¹

Sempre quando nos propomos a analisar a violência humana, a maldade humana, é importante que tenhamos em mente que muito provavelmente vamos ter que colocar as nossas próprias idéias em dúvida, assim como nosso modo de agir, de falar, de sentir e de pensar. Precisamos pensar se fazemos isso com humildade ou arrogância, pois precisamos responder à realidade de forma coerente com princípio não violentos, perceber os nossos gestos e nosso posicionamento no mundo. Como então objetivar o próprio eu dentro de um processo de subjetivação, sem nos esquecermos do nós? Como dar sentido ao nosso estar no mundo e à realidade?  Como não tonar a voz humana produto do indizível? Como evitar que os instintos e necessidades sociais sejam reduzidos ao silêncio? Como impedir a desumanização e a animalização do homem? Como manter viva a dignidade humana, não abafar nossa capacidade de pensar, se o mal habita em nós como condição humana? Como resgatar o espaço do sujeito que sente, uma vez que seu sentir fome, sentir frio, sentir sede, transformou-se na própria fome, no próprio frio, na sede viva? Pois ele perdeu sua condição de sujeito humano, se reduziu aos seus instintos mais básicos, não consegue mais pensar. Está reduzido ao homem animal!

A sexualidade humana tem despertado estudos e o interesse piscanalítico a há séculos dos mais diversos profissionais. Nesta palestra foram abordados os diferentes aspectos deste instigante tema.

Nosso palestrante Marcelo Manzano (foto acima) é membro do Institoto Sándor Ferenczi-ISF e aluno da Escola Paulista de Psicanálise-EPP.

abstract art modern contemporary south australian artist bio05723Por Alê Esclapes1

A partir de três trabalhos de Freud (Projeto para uma psicologia cientifica, A interpretação dos sonhos, e Dois princípios do funcionamento mental), Bion explora os conceitos de notação e atenção. A notação seria uma palavra mais ligada a armazenamento de informações. Não gostaria nesse artigo de discutir as particularidades desse processo, mas gostaria de deixar claro o aspecto de armazenamento de uma informação que é possível a partir da percepção.

Já a atenção é um ato intencional que visa utilizar o aparelho de percepção a fim de buscar algo. Esse algo pode se relacionar tanto ao mundo interno quanto ao mundo externo. Existe, portanto nesse movimento da atenção uma intenção, um desejo. É importante essa distinção, pois a notação, por si só não é fruto de um desejo, conquanto a atenção sempre o é.

Aqui reside o fundamento de um importante artigo de Bion sobre memória e desejo. A memória é a atenção voltada as notações do passado, ou em outras palavras, a memória é fruto do desejo. Observe-se aqui que memória não tem uma função de arquivo, mas dinâmica.

A partir desse posicionamento Bion coloca uma questão ética: pode o desejo do analista influir na análise? Cabe no enquadre aparecer outro desejo que não o do analisando? Daí a sua famosa indicação aos analistas: conduzir um tratamento sem desejo e sem memória. Memória aqui é o passado do desejo, ou em uma outra interpretação, nascem do mesmo impulso.

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