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Honrarás teu pai e tua mãe

Por Ale Esclapes

Gostaria de discutir hoje uma companheira na nossa viagem entre o nascimento e a morte chamada consciência. Ela é responsável por nossa moral, nossa ética, em nos dizer quando estamos certos ou errados. Ela tem uma forma muito particular de conversar conosco: ela nos faz sentir perseguidos, culpados ou com vergonha. E é através desses sentimentos que ela tenta (e muitas vezes consegue) nos convencer a fazer o que ela (a consciência) acredita ser bom. Até aqui parece que ela é uma boa companheira de viagem, e de fato pode ser – mas também pode ser nossa pior inimiga.

Primeiro porque ela trabalha, em seus estágios mais primitivos com a famosa Lei de Talião: olho por olho, dente por dente.Nesse sentido a consciência pode nos punir por nossos sentimentos hostis mais íntimos, aqueles inconfessáveis, e que muitas vezes nem quem os sentem os conhecem. Uma relação não é vivenciada apenas sobre o signo do amor, mas também do ódio, pois ambos são duas faces de uma mesma moeda. Caso nossa consciência não funcione bem, ela nos punirá pelos inevitáveis sentimentos de ódio que temos pelos nossos semelhantes. Esse quadro é muitas vezes o cerne de pessoas que se sabotam, não conseguem realizar seus projetos de felicidade, que tem tudo para dar certo mas não conseguem sair do lugar – precisam ser punidas, ou precisam se punir pelos seus sentimentos destrutivos.

Em segundo lugar a consciência tem a função de nos unir aos nossos semelhantes. E quem são mesmo nossos primeiros semelhantes? Nossos pais e nossas mães. A maneira mais prática que a consciência tem de nos unir aos pais é pelo mandamento: “Honrarás o teu pai e tua mãe”. E isso numa consciência mau regulada pode perfeitamente significar: “Farás os desejos de seu pais e sua mãe.” Eis aqui uma armadilha mortal. Qual os desejos dos pais em relação aos seus filhos? Comumente temos as seguintes opções: a) os filhos serão aquilo que seus pais não conseguiram ser na vida, sendo a redenção de seus desejos frustrados b) serão aquilo que seus pais são c) serão aquilo que seus pais foram. Quantas pessoas vivem a vida que seus pais sonharam para elas, e são infelizes! Quantas pessoas se sentem culpadas em dizer “não”! Seguir o próprio caminho, a própria profissão, a própria sexualidade inevitavelmente esta atrelado a um conflito com a própria consciência.

Nossa consciência pode ser nossa redenção e nossa derrota na vida. Pode-se fugir do outro, mas não de si mesmo! Excesso de culpa, sentimentos de perseguição ou vergonha são indicativos que algo não esta funcionando bem com nossa consciência.

 

 

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