Conceitos chaves

Introdução

Por Ale Esclapes

Essa parte do site é dicidacada aos conceitos básicos da psicanálise. Mas muito mais que seu sigfinicado preciso, que deve ser buscado nos bons dicionários de psicanálise que recomendamos na sessão de livros, mas o uso particular que cada psicanalista utiliza em sua clínica através de artigos cujo link estár no proprio verbete. Essa forma de organização tem por objetivo tornar a discussões ricas e o site um espaço para a dicussão de idéias.

Navegue pelos conceitos básicos da psicanálise no pequeno dicionário abaixo e descubra um pouco mais desse fascinante universo. Aos poucos o visitante vai perceber que esses conceitos se entrelaçam numa teia, que se tudo for devidamente compreendido, se concecta com todas as outras sessões do site.

Os verbetes abaixo não estão em ordem, pois visam refletir a trama de conceitos da psicanálise, que muitas vezes não estão em uma ordem determinada.

Inconsciente

"Em psicanálise, o inconsciente é um lugar desconhecido da consciência: uma 'outra cena'. Na primeira tópica elaborada por Freud, trata-se de uma instância ou um sistema (Ics) constituído por conteúdos recalcados que escapam às outras instâncias. (Pcs-Cs). Na segunda tópica, deixa de ser uma instância, passando a servir para qualificar o ID, e em grande parte, o ego e o superego". Dicionário de Psicanálise - E. Roudinesco.

 

Sexualidade

"Na experiência e na teoria psicanalítica propriamente, 'sexualidade' não designa apenas as atividades de prazer que dependem do funcionamento do aparelho genital, mas toda uma série de excitações e de atividades presentes desde a infância, que proporcinam um prazer irredutível à satisfação de uma necessidade fisiológica fundamental (respiração, fome, função de excreção, etc.) e que se encontram a titulo de componentes na chamada forma normal do amor sexual". Vocabulário da Psicanálise - J. Laplanche

 

Libido

"Energia postulada por Freud como substrato das transformações da pulsão sexual quanto ao objeto (deslocamento dos investimentos), quanto ao alvo (sublimação, por exemplo) e quanto à fonte da excitação sexual (diversidade das zonas erógenas) ". Vocabulário da Psicanálise - J. Laplanche

 

Complexo de Édipo

"Conjunto organizado de desejos amorosos e hostis qeu a criança experimenta relativamento aos pais. Sob sua forma positiva, o complexo apresenta-se como na historia de Édipo Rei: desejo da morte do rival que é personagem do sexo oposto... O Complexo de Édipo desempenha um papel fundamental na extruturação da personalidade e na orientação do desejo humano ". Vocabulário da Psicanálise - J. Laplanche .

 

Desejo

"Na concepção dinâmica freudiana, um dos pólos do conflito defensivo: o desejo inconsciente tende a realizar-se restabelecendo, segundo as leis do processo primário, os sinais ligados às primeiras vivências e satisfação. A psicanálise mostrou, no modelo do sonho, como o desejo se encontra nos sintomas sob a forma de compromisso ". Vocabulário da Psicanálise - J. Laplanche

 

Angústia

"Significados dos termos Angst e Furcht

1) Angst significa medo. Geralmente indica um sentimento de grande inquietude perante ameaça real ou imaginária de dano. Pode variar da gradação de "receio" e "temor" até "pânico" ou "pavor". Refere-se tanto a ameaças específicas (Angst vor, medo de) como inespecíficas (Angst, medo). Tenho medo de ser mal interpretado (recear). Tenho medo de cães. Morro de medo de vampiros (Pavor). Sinto medo durante a noite (inespecífico).

2) Furcht significa medo no sentido de receio, temor. Refere-se a objetos específicos. Tenho medo de ser mal interpretado (recear). Temo cães grandes e pretos, pois já tive uma experiência traumática com um cão assim.

Conotações dos termos Angst e Furcht

A) Em alemão Angstsignifica "medo", abarcando desde os sentidos de "temor" e "receio" até os sentidos intensos de "pânico" e "pavor". A palavra Furcht (receio, temor) não abarca o pânico ou pavor imediato. Um animal perante o predador sente Angst, não Fureht. A Fureht se liga freqüentemente à preocupação; a Angst pode ser mais visceral e imediata, refere-se a um medo e indica reação intensa perante ameaça de aniquilação ou dano (seja ela real ou imaginária, específica ou inespecífica). Quando no sentido de pavor, pânico, normalmente não se emprega o termo Fureht, mas Angst. Neste sentido, freqüentem ente se aproxima do pavor, enquanto Fureht tem um caráter mais antecipatório do que Angst..

B) Angst pode referir-se a objetos específicos ou inespecíficos. Diferentemente de Angst, Fureht sempre se refere a objetos específicos. Ambos podem se referir a temores por ameaças ainda distantes.

C) Sendo uma reação intensa, Angst evoca algo que se externaliza claramente (expres­são facial, suor, voz ete.) e desencadeia uma ação (de ataque ou fuga), ou, mais raramente, algo que causa tanto pavor que paralisa o sujeito. A palavra Angst é empregada em composição com termos como "ataque de medo", "irrupção de medo" etc. Descreve reações que se exteriorizam fortemente. Não há expressões como "ataque de Furcht" (temor). Diversamente de Fureht, Angst liga-se a uma prontidão reativa ante o perigo." Dicionário comentado do alemão de Freud, Luis Hanns

 

Identificação

"identificação
aI. Identifizierung. esp. identificación; Ir. identifica­tion; ing. identification
Termo empregado em psicanálise" para designar o processo central pelo qual o sujeito" se constitui e se transforma, assimilando ou se apropriando, em momentos-chave de sua evolução, dos as­pectos, atributos ou traços dos seres humanos que o cercam." Dicionário de Psicanálise - E. Roudinesco.

"identificação projetiva
aI. Projektionsidentifizierung; esp. identificación proyectiva; Ir. identification projective; ing. projec­tive identification
Conceito introduzido em 1946 por Melanie Klein' para designar um modo específico de projeção' e identificação' que consiste em introduzir a própria pessoa no objeto para prejudicá-Io." Dicionário de Psicanálise - E. Roudinesco.

 

Falta

 

Agente
Falta de objeto
Objeto
 

Castração
Dívida Simbólica

imaginário
 
Frustração
Dano Imaginário
real
 
Privação
Furo real
simbólico

Jacques Lacan - Seminário 4 As relações de Objeto

 

Obejto Transicional

"objeto transicional

aI. Übergangsobjekt, esp. objeto transiciona/; Ir. objet transitionne/; ing. transitiona/ object
Expressão criada em 1951 por Donald Woods Win­nicott* para designar um objeto material (brinque­do, animal de pelúcia ou pedaço de pano) que tem para o bebê e a criança um valor eletivo, que lhe permite efetuar a transição necessária entre a pri­meira relação oral com a mãe e uma verdadeira relação de objeto.

Essa notável conceituação - de uma reali­dade observável por qualquer pai ou mãe na criança pequena que guarda junto de si por vários anos um objeto de eleição, muitas vezes se recusando a largá-Io - inscreve-se no contexto da elaboração da questão da relação de objeto* pelo kleinismo*. Foi proposta pela pri­meira vez durante uma conferência da British Psychoanalytical Society (BPS), em 30 de maio de 1951.

Notável clínico da infância, Winnicott si­tuou o objeto transicional na área da ilusão e da brincadeira. Embora seja "possuído" pelo bebê como substituto do seio, esse objeto não é reco­nhecido como fazendo parte da realidade exter­na: é a "primeira propriedade 'não-eu"'. Por isso, está destinado a proteger a criança da angústia da separação no processo de diferen­ciação entre o eu* e o não-eu. Um objeto é transicional por marcar a passagem, na criança. de um estado em que ela se encontra unida ao corpo da mãe para um estado em que é capaz de reconhecer a mãe como diferente de si e sepa­rar-se dela: há aí uma transição da relação fu­sional (não-eu) para uma simbolização da rea­lidade objetal (eu).
Foi de uma leitura fenomenológica da cul­tura cristã que surgiu essa concepção do objeto transicional, como mostra Winnicott em seu prefácio de 1971 a O brincar e a realidade, onde evoca a célebre controvérsia sobre a transubs­tanciação. Winnicott faz da transformação do pão e do vinho em corpo e sangue de Cristo um fenômeno de tipo transicional." Dicionário de Psicanálise - E. Roudinesco.

 

Narcisismo primário(primärer Narzissmus) e secundário(sekundärer Narzissmus)

O narcisismo primário designa um estado precoce em que a criança investe toda a sua libido em si mesma. O narcisismo secundário designa um retorno ao ego, da libido retirado dos seus investimentos objetais.

A descoberta do narcisismo(1910) leva Freud  a propor – no caso Shereber, 1911 – a existência de uma fase da evolução sexual intermédia entre o auto-erotismo e o amor de objeto. "O indivíduo começa por se tomar a si mesmo, ao seu próprio corpo, como objeto de amor", o que permite uma primeira unificação das pulsões sexuais.

Freud já fazia uso do termo antes mesmo de introduzir seu conceito, por um estudo especial(Para a Introdução do Narcisismo – Zur Einführung des Narzissmus – 1914).

Propõe a possibilidade da libido de reinvestir o ego desinvestindo o objeto.

No quadro de uma concepção energética que reconhece a permanência de um investimento libidinal do ego, é a uma definição estrutural do narcisismo que assim somos levados: o narcisismo já não surge como uma fase evolutiva, mas como uma estase da libido que nenhum investimento objetal permite ultrapassar completamente.

Com a elaboração da segunda teoria do aparelho psíquico proporá um estado primitivo – narcisismo primário(anobjetal) e relações com o objeto). Este primitivo, a ele dá o nome de narcisismo primário e que seria caracterizado pela total ausência de relações com o meio, por uma indiferenciação entre ego e o id, e teria seu protótipo na vida intra-uterina.

A idéia de um narcisismo contemporâneo da formação do ego por identificação com outrem nem por isso é abandonada, mas esse é então denominado "narcisismo secundário. "O narcisismo do ego é um narcisismo secundário, retirado aos objetos"(Freud).  (Laplanche e Pontalis)

 

Ideal do Ego (Ichdeal)

Instância da personalidade resultante da convergência do narcisismo(idealização do ego) e das identificações com os pais, com seus substitutos e com o ideais coletivos. Enquanto instância diferenciada, o ideal do ego constitui m modelo a que o indivíduo procura conformar-se.

Está estreitamente ligado à elaboração progressiva da noção de superego e, mais geralmente, da segunda teoria do aparelho psíquico.

O que ele(o homem) projeta diante de si como seu ideal é o substituto do narcisismo perdido da sua infância; nesse tempo o seu próprio ideal era ele mesmo(Laplanche e Pontalis)

 A dimensão de um ideal como modalidade de referência do eu aparece explicitamente em Freud no texto de 1914 dedicado à introdução do conceito de Narcisismo.

É a renúncia à onipotência infantil e ao delírio de grandeza , característicos do narcisismo infantil, que possibilita o surgimento de um outro ideal.

Freud ainda irá dizer que "A formação do ideal seria, ao lado do eu(ego) a condição do recalque". Mais adiante(1917) Freud modifica sua concepção...Este converte-se então numa instância do eu que se encarrega das função até então atribuídas à consciência moral(Gewissen), que permitia ao eu avaliar suas relações com seu ideal. Além disso, o ideal do eu(ideal do ego) participa da formação do sonho, uma vez que é concebido como responsável pela censura dos sonhos.  Em 1921 Freud atribuiu ao ideal do eu(ideal do ego) um lugar de primeiro plano(Psicologia das Massas e Análise do Ego). Fez dele uma instância bem distinta do eu, capaz de "se engajar em conflitos com ele. Tendo uma função de auto-observação, consciência moral,  censura onírica e o exercício da influência essencial no recalque. (Roudinesco)

 

Ego Ideal (Idealich)

Formação intrapsíquica que certos autores, diferenciando-a do ideal do ego, definem como um ideal narcísico de onipotência forjado  a partir do modelo do narcisismo infantil.

Depois de Freud, certos autores retomaram o par formado por estes termos(ego ideal e ideal de ego) para designarem duas formações intrapsíquicas diferentes.

Nunberg, designadamente, faz do ego ideal uma formação geneticamente anterior ao superego: "O ego ainda inorganizado, que se sente unido ao id, corresponde a uma condição ideal...". No decurso do seu desenvolvimento, o indivíduo deixaria atrás de si este ideal narcísico e aspiraria regressar a ele, o que efetua sobretudo, mas não exclusivamente, nas psicoses.

Para J. Lacan, o ego ideal é igualmente uma formação essencialmente narcísica que tem a sua origem na fase do espelho e que pertence ao registro do imaginário.(Laplanche e Pontalis)

 

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