| Breves comentários sobre as notícias da semana |
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Sex, 18 de Maio de 2012 17:54
| Executivos nos EUA tentam retardar envelhecimento com hormônios - http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/bbc/2012/05/18/executivos-nos-eua-tentam-retardar-envelhecimento-com-hormonios.htm – Chega a ser estranho o resultado, quase monstruoso. Será que nem envelhecer com dignidade poderemos?
IPO do Facebook – Somente um delírio para explicar como essa empresa vale mais que mineradoras. O valor de mercado de uma empresa deve ser dado com base na realidade, ou seja, seu fluxo de caixa. Não curti.
Morte da Donna Summer – estou ficando velho ... mas não quero tomar hormônio. Last dance!
Acidente do metro em São Paulo – noticiou-se que tem gente que depois do acidente vai preferir usar o carro que o metro. Eu acho que morre mais gente no trânsito de São Paulo que no metro, mas tudo bem. Cada um cria o inferno onde quer morar.
Ale Esclapes Psicanalista
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| Entrevista com Ivan Capelatto no blog da jornalista Erika, do Jornal de Londrina |
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Seg, 07 de Maio de 2012 15:22
| Fonte: http://www.jornaldelondrina.com.br/blogs/inventaravida/
Gosto muito de gente. Uma das felicidades da minha profissão de jornalista é estar sempre conversando com pessoas, especialmente a gente comum. Acabo conhecendo um pouco de sujeitos maravilhosos, os quais eu não encontraria se não fosse repórter. Gosto de saber como pensam, agem e reagem, como se movem na vida, suas dores e alegrias. Invariavelmente acabo afetada por essas pessoas e carregando um pouco delas comigo durante um bom tempo. Até que processo de tal forma aquilo que era do outro que passa a fazer parte de mim. Minha amiga jornalista Patrícia Zanin, que tem o dom da escuta do outro como só raras pessoas têm, conta que costuma ficar na cabeça com falas inteiras de seus entrevistados. Eu fico com sensações, ideias, trechos de falas, pensamentos, que generosamente compartilham comigo. A experiência delas me ajuda a me entender melhor. E não são as grandes vivências, mas as pequenas coisas do dia-a-dia que acabo carregando comigo.
Foi assim com uma jovem que tinha vários gatos em casa e passou a sofrer pressão de vizinhos para se livrar deles. Se estava certa ou errada em manter os animais em casa, não é o caso aqui, mas sim o quanto estava assustada. "Para mim, eu estava fazendo algo bom. Nunca imaginei viver uma situação dessas por estar cuidando de animais de rua." Não havia raiva em sua fala, mas perplexidade. Ela parecia realmente não conseguir encontrar um sentido na reação tão agressiva das pessoas. A pressão dos vizinhos afetou tanto a jovem que ela não conseguia mais sair na rua sem olhar para os lados. A ideia de que iriam invadir sua casa e colocar fogo passou a persegui-la. Ela se assustava até com o toque do telefone. Algo que parecia não ter maiores consequências, a abalou de tal forma que passou a viver com medo e assustada.
Eu acredito muito na força do ser humano, na sua capacidade de se reinventar, de encontrar saídas onde estas parecem não existir. Mas há também uma delicadeza que não pode ser desprezada, para a qual o psicanalista Ivan Capelatto chama a atenção em entrevista para a Rádio UEL FM, para a Patrícia Zanin, sobre Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT). “As pessoas precisam acordar para a fragilidade extrema que é o ser humano. O ser humano é efetivamente afetivo, não é de plástico, uma coisa que simplesmente esquece o que aconteceu. Precisamos acordar para a vida”, alerta o psicanalista. “[É preciso] se importar. Se responsabilizar pelo outro.” A entrevista será postada no blog em duas partes.
Patrícia - Capelatto, você deu um curso com esse tema e as pessoas ficaram muito afetadas com a sua fala. O que você tem pesquisado sobre esse transtorno? Capelatto - O Transtorno de Estresse Pós-Traumático, que a gente chama carinhosamente de TEPT, é uma modificação que pode ser na personalidade, no equilíbrio do organismo, pode causar doenças, vai mexer em todas as áreas do sujeito. E – diferente do distúrbio, que tem começo, meio e fim – o transtorno é para o resto da vida.
Patrícia - Mexe no sistema orgânico, fisiológico, mental? Capelatto– Em tudo. No psicológico, no sistema imunológico, nos hábitos, na vida social e afetiva. O TEPT é a reação a uma invasão que acontece na vida do sujeito – um assalto, a perda drástica de algo ou alguém – à qual não é permitido fazer o luto. Na perda pela doença, o sujeito vai fazendo o luto. Mas muitas vezes perde-se alguém de repente – assassinato, roubo, latrocínio – [a pessoa] quer chorar, gritar, fazer um escândalo, aí alguém vem e medica. Não deixa fazer o luto.
Qualquer evento (guerra, estupro, violência, bullying) que traga horror, angústia e que não sofra uma elaboração imediata, um atendimento adequado imediato, vai gerar o TEPT. O estupro é a causa maior do TEPT. Hoje o Brasil, infelizmente tem sido recordista, quase tanto quanto a África, em estupros de homens, mulheres e crianças. Hoje os homens estão sendo estuprados também. Não sei se vocês sabem disso, mas o número de estupros de homens é muito alto. É que os homens têm vergonha de dar queixa. São homens estuprados por homens. Testemunhas de violência, bulliyng, os sobreviventes de tragédias (cataclismos, enchentes), provavelmente também serão vítimas de TEPT.
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| Não ver, não ouvir e calar sempre |
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Dom, 06 de Maio de 2012 11:18
| Você quer ser querida pelos amigos, viver sem problemas, ser daquelas pessoas que são sempre lembradas com alegria e prazer? Em outras palavras: você quer ser feliz? Simples: esqueça essas manias de ver, ouvir e, sobretudo, falar, e sua vida passará a ser um mar de rosas.
Não ouça; isso mesmo, não ouça, salvo, talvez, um pouco de música, quando estiver no carro. Quando perceber que estão contando uma história escabrosa da área política, vá para a janela e olhe para fora com enorme atenção.
E se o assunto envolver a vida particular de quem quer que seja -e quanto mais próxima a pessoa, pior-, seja drástico e finja um mal-estar súbito. Se tiver que se explicar, diga, no máximo, que é vagotônico como era o poeta Vinicius, doença que, aliás, já esteve muito na moda e que ninguém nunca soube muito bem do que se tratava.
Agora, o principal: se uma amiga -principalmente se for a que você mais adora- quiser contar seus problemas pessoais, arranje uma desculpa, seja ela qual for, para não ouvir: simule uma crise nervosa, diga coisas desconexas, dê uns gritos, e se for preciso, desmaie, mesmo que esteja no meio da rua. Vale absolutamente tudo para não assumir o papel de confidente, pois vai acabar sobrando para você -ou estou dizendo alguma novidade?
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| Conferência Monja Coen Roshi |
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Sáb, 05 de Maio de 2012 19:12
| Um resumo do VII Congresso da Associação Mundial de Psicanálise – A nova ordem simbólica. Buenos Aires 2012. |
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Sáb, 05 de Maio de 2012 19:10
| Gostaria de apresentar um resumo muito pessoal do que foi o último congresso mundial da Associação Mundial de Psicanálise com o título – “A nova ordem simbólica”. Primeiramente esse título me chamou atenção desde o ano passado, e me inscrevi querendo descobrir o que é uma ordem simbólica, qual era a anterior e qual era a nova. Sei que tem vídeos do Jorge Forbes no youtube falando sobre isso, mas eu queria ver algo para além. Como não tenho formação lacaniana fui sem muitas expectativas de conseguir atingir meu objetivo, e o que apreendesse estaria muito bom.
O local escolhido foi bárbaro, no coração de Puerto Madero, em um hotel moderno, muito chique. A organização também foi excelente, desde a inscrição – recebíamos newsletters constantes informando os preparativos, mostras paralelas e até festas foram organizadas. Durante todo o congresso também tudo correu de forma ordeira, com tradução simultânea que funcionava bem.
Durante as manhãs ocorreram as apresentações de passe (segunda e terça). Para quem não sabe, os lacanianos possuem um dispositivo chamado passe (não tem nada de espiritismo nisso), para marcar a transmissão da psicanálise entre analista e analisante. Pelo que entendi nessa organização o aspirante a analista faz um relatório de sua análise que é submetido a um cartel (não tem nada haver com a máfia) que pode aprovar ou não a entrada dele na comunidade como analista. Nesse dia específico aqueles que foram aprovados apresentavam seus relatórios durante o congresso.
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| A censura do politicamente correto |
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Qui, 01 de Março de 2012 08:38
| Existe um tipo de ditadura, geralmente utilizada por gente que não gosta da polícia, nem de gente heterossexual, branca e homem, que vira e mexe tenta solapar os nossos costumes – o politicamente correto. Para quem não sabe esse termo surgiu nos EUA, dentro do partido Democrata. O próprio termo é sedutor quando nos diz que algo é correto em política (ui!). De um tapa só admite que algo possa ser correto em política de outro que existe uma correta e outra nem tanto assim, e que, portanto deve ir ao limbo do esquecimento.
O politicamente correto adora a ciência e detesta o Estado (a não ser se este for aparelhado por sindicalistas e gente da esquerda) e todas as suas manifestações. Utilizar a ciência para julgar o que pode ser politicamente correto ou não chega ao nível do fetiche. Mas talvez mais do que a ciência o politicamente correto ama as leis! Ah, esse paraíso onde podemos legislar o que as pessoas podem ou não pensar. Se o fascismo e nazismo adoram a propaganda de Estado (não que governos de esquerda não utilizem esse recurso à exaustão) é pelas leis e processos que o politicamente correto adora cercear a nossa liberdade de pensamento, chegando às rédeas do absurdo.
Vamos a dois exemplos somente essa semana: No primeiro deles um promotor de Uberlândia vê preconceito no dicionário Houaiss. Você pode acompanhar essa notícia pelo link http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1054519-procuradoria-ve-preconceito-em-termo-usado-no-dicionario-houaiss.shtml.
Até onde sei, devo admitir que não sou filólogo, um dicionário deveria ser um espelho do uso que uma cultura faz de uma palavra, sendo entre outras coisas, o seu guardião no tempo. Não cabe a ele julgar se o uso é “politicamente correto” ou não. Imagine que um arqueólogo daqui a 200 anos vai poder saber o que pensávamos sobre os índios no século XVII, XVIII, XIX, XX, etc ... graças aos dicionários. Higienizar a cultura pelo dicionário é no mínimo um golpe (no sentido de golpe político mesmo) contra as liberdades básicas do ser humano e contra sua própria cultura. Acho que vi esse uso em alguns livros como “1984” e “Admirável mundo novo”.
Da mesma forma alguém entrou com uma representação (reparou que o nome da pessoa que entra com essas representações e processos geralmente não aparecem nas reportagens? Por que será?) no Conar contra uma propaganda do azeite Gallo, por suposto racismo -
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1054927-conar-deve-julgar-suposto-racismo-em-anuncio-de-azeite-gallo.shtml
Nem com muito estudo semiótico (ah, o pessoal politicamente correto adora semiótica - método infalível para se ver o mal onde ninguém mais o vê) consigo enxergar racismo na propaganda – mas não é esse o objetivo desse post. Trouxe esse exemplo para mostrar como esse pessoal esta sempre alerta, sempre pronto para um processo, sempre de olho na produção cultural de uma nação, a fim de nos ajudar a saber o que pode o que não pode ser veiculado. Junta-se a isso à teorias da conspiração e pronto – mais um processo (e quem sabe uma indenização, lógico).
É preciso perceber e ficar atento a essa censura que vem do politicamente correto, que de correto, não tem nada, e tem sim uma agenda política, como qualquer outra. Se ela é boa ou não é outra coisa, mas dividir o mundo entre os “corretos” (nós) e os “incorretos” (os outros) é um dos primeiros passos que todo regime totalitário usa – de direita ou de esquerda.
Ale Esclapes Psicanalista
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| O cultivo do ódio em anos eleitorais |
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Dom, 12 de Fevereiro de 2012 09:34
| Ontem (dia 10/02/2012) um grupo de manifestantes contra a ação da polícia militar no bairro de Pinheirinho em São José dos Campos e contra o racismo invadiu o Shopping Pátio Higienópolis para protestar. Segundo notícias, “O movimento, liderado pelo Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra, invocou causas diversas no protesto. Criticaram a reintegração de posse na favela do Pinheirinho, a ação na cracolândia e casos como o de uma funcionária da escola Anhembi Morumbi, no Brooklin (zona sul), que alega ter sido pressionada a alisar os cabelos.” Folha de São Paulo de 11/02/2012. Sinceramente acho que essas pessoas não sabem o que significa a palavra genocídio, e acredito de mau gosto isto acontecer justamente em um bairro tradicional da colônia judaica, esta sim vítima de genocídio na segunda guerra mundial.
Nada contra protestos – mas pelo que mesmo se protesta? E quem são os responsáveis por trás desses protestos. Vou simplificar aqui minha explanação – em ano eleitoral, os partidos políticos vão usar e abusar desse tipo de manobra. A questão que fica e me preocupa é dizer que os moradores de Higienópolis são os causadores dos males apontados. Isso é incitar o ódio contra um grupo de pessoas. Um movimento cujo nome tem “genocídio” no meio deveria saber como agiam os fascistas e nazistas. Que o Brasil tem problemas de racismo contra cor de pele e contra classes sociais isso é sabido, mas incitar o ódio entre esses grupos não vai resolver nada, muito pelo contrário, somente piorar a situação.
Certa linha de fazer política da esquerda desse país tem como estratégia o cultivo do ódio, nome inclusive de um dos magníficos livros do historiador e psicanalista Peter Gay. O clima da eleição nem começou direito e a temperatura já está acima do que seria de bom senso. Outro dia um articulista e filósofo da Folha argumentou, comentando que a maioria da população paulista que apoiava as ultimas ações da polícia era na verdade um bando de fascistas em potencial. Esse clima de dualidade entre os bons e os maus não faz o menor sentido e não é isso que vai construir um país mais justo para todos.
Por Ale Esclapes Psicanalista
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