Sigmund Freud

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Por Denise Deschamps

“A popularidade em si me é inteiramente indiferente, ela deve ser no máximo considerada um perigo para realizações mais sérias” (S. Freud – citado em Gay, P. pág 414)

A teoria psicanalítica é estruturada por Sigmund Freud, assim seu nome é hoje conhecido pela maioria.Nascido em 6 de maio de 1856 em uma pequena vila morávia de Freiberg que foi anexada pela Tchecoslováquia, migrou para Viena ainda criança, por esse motivo muitas vezes é chamado de austríaco. Filho de Jacob Freud e de sua terceira mulher Amalie Nathanson (1835-1930). Seu nome de batismo segundo a bíblia da família é “Sigismund Schlomo”, nunca tendo utilizado o Schlomo e adotando desde sua entrada para universidade em 1873 o nome de Sigmund.

Interessou-se inicialmente pela histeria e, tendo como método a hipnose, estudou pessoas que apresentavam esse quadro. Mais tarde, com interesses pelo inconsciente e pulsões, entre outros, foi influenciado por Charcot e Leibniz, abandonando a hipnose em favor da associação livre. Estes elementos tornaram-se bases da psicanálise. Freud, além de ter sido um grande cientista e escritor (Premio Goethe, 1930), possui o título, assim como Darwin e Copérnico, de ter realizado uma revolução no âmbito humano: a idéia de que somos movidos pelo inconsciente.

Desenvolve seus textos  até quase à véspera de sua morte em 23 de setembro de 1939, Londres, onde se refugiou da perseguição nazista por ser judeu e por seus escritos. A princesa Marie Bonaparte, amiga, colaboradora e ex-analisanda foi uma peça fundamental no sentido de salvar escritos, cartas etc nesse momento e em mais de uma ocasião na vida de Freud, inclusive em relação a intrigante correspondência do início da psicanálise que trocou com Fliess e que ele, Freud, quisera que fossem queimadas.

Freud, suas teorias e seu tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século XIX, e continuam a ser muito debatidos hoje. Suas idéias são freqüentemente discutidas e analisadas como obras de literatura e cultura geral em adição ao contínuo debate ao redor delas no uso como tratamento científico e médico.

Os primeiros anos de Freud são pouco conhecidos, já que ele destruíra seus escritos pessoais em duas ocasiões: a primeira em 1885 e novamente em 1907. Além disso, seus escritos posteriores foram protegidos cuidadosamente nos Arquivos de Sigmund Freud, aos quais só tinham acesso Ernest Jones (seu biógrafo oficial) e uns poucos membros do círculo da psicanálise. O trabalho de Jeffrey Moussaieff Masson pôs alguma luz sobre a natureza do material oculto.

Freud morre de câncer na mandíbula (passou por trinta e três cirurgias). Supõe-se que tenha morrido de uma overdose de morfina. Freud sentia muita dor, e segundo a história contada, ele teria dito ao médico que lhe aplicasse uma dose excessiva de morfina para terminar com o sofrimento.
Como textos que trabalhou nesse final de vida temos o “Esboço de Psicanálise”, “Algumas Lições Elementares sobre Psicanálise” e o revolucionário “Moisés e o Monoteísmo”.

Foi assistido por seu médico( indicado a ele por sua grande amiga e protetora Marie Bonaparte) Max Schur até o fim dos seus dias, tendo sido ele um fiel acompanhante, que esteve anteriormente com Freud, em momentos de grande tensão na  Áustria tomada pelo regime Nazista. Sabe-se que Schur  fez o acompanhamento de Freud no dia em que Anna Freud foi chamada a prestar informações à Gestapo, dia em que Freud viveu intensa  preocupação e que foi decisivo no sentido de convencê-lo a buscar refúgio na Inglaterra. Schur esteve ao seu lado todo tempo preocupado com sua saúde e como reagiria a tensão do momento.

Descreve assim Peter Gay os momentos finais de Freud, uma das narrativas mais emocionantes a respeito:

Schur estava à beira das lágrimas, enquanto presenciava Freud encarando a morte com dignidade e sem autopiedade. Ele nunca vira alguém morrer assim. Em 21 de setembro, Schur repetiu a injeção, quando ele se tornou inquieto, e administrou uma dose final no dia seguinte, 22 de setembro. Freud entrou num coma do qual não despertou. Ele morreu às 3 horas da manhã de 23 de setembro de 1939. Quase quarenta anos antes, Freud escrevera a Oskar Pfister, indagando o que se faria, ‘quando as idéias falham ou as palavras não vêm?’. Não pôde evitar um ‘tremor diante desta possibilidade’. ‘É por isso que, com toda a resignação perante o destino que convém a um homem honesto, eu tenho um pedido totalmente secreto: apenas nenhuma invalidez, nenhuma paralisia das faculdades pessoais devido a uma desgraça física. Que morramos em nosso posto, como diz o rei Macbeth’. Ele providenciara que seu pedido secreto fosse atendido. O velho estóico conservou o controle de sua vida até o fim”.

Primeiros anos


Freud inicia os estudos na universidade aos 17 anos, os quais tomam-lhe inesperadamente bastante tempo até a graduação, em 1881. Registros de amigos que o conheciam naquela época, assim como informações nas próprias cartas escritas por Freud, sugerem que ele foi menos diligente nos estudos de medicina do que devia ter sido. Em lugar dos estudos, ele atinha-se à pesquisa científica, inicialmente pelos estudos dos órgãos sexuais de enguias — um estranho, mas interessante presságio das teorias psicanalíticas que estariam por vir vinte anos mais tarde. De acordo com os registros, Freud completa tal estudo satisfatoriamente, mas sem distinção especial. Em 1877, desapontado com os resultados e talvez menos excitado em enfrentar mais dissecações de enguias, Freud vai ao laboratório de Ernst Brücke, que torna-se seu principal modelo de ciência.

Com Brücke, Freud entra em contato com a linha fisicalista da Fisiologia. O interesse de Brücke não era apenas descobrir as estruturas de órgãos ou células particulares, mas sim, suas funções. Dentre as atribuições de Freud, nesta época, estavam o estudo da anatomia e da histologia do cérebro humano. Durante os estudos, identifica várias semelhanças entre a estrutura cerebral humana e a de répteis, o que o remete ao então recente estudo de Charles Darwin sobre a evolução das espécies e à discussão da "superioridade" dos seres humanos sobre outras espécies.

Voltemos agora nossa atenção para o início da psicanálise.

Podemos dizer que muito do que levou ao entendimento da psicanálise se encontra esboçado em todo o período que chamamos de sua  fase pré-científica(ou pré-psicanalítica), muito do que está contido nos primeiro modelos de psiquismo proposto por Freud nesse período é de alguma maneira incorporado em tudo aquilo que será chamada da metapsicologia freudiana. Não podemos deixar de prestar atenção no conhecido modelo da Lagoa ou no modelo da Cebola, ambos muito elucidativos dos mecanismos que operam de dentro do aparelhamento psíquico.

 

Breve histórico pré-psicanalítico

 

  • FREUD - Diploma em Medicina - 1881

Primeiras pesquisas com Brucke (que o apresenta a Josef Breuer) - 1876

  • 1884 – A quase descoberta da função anestésica da cocaína – não escreve sobre o tema e viaja para estar com sua noiva Martha Bernays

Junho - Artigo sobre a cocaína por Carl Koller:Escreve sobre a anestesia local derivada da cocaína.

  • Outubro de 1885 - 1886 - (janeiro, fevereiro) ) Bolsa da Faculdade e Curso em Paris - Hipnose - Histeria - com Jean Martin Charcot.

  • Polêmica importante para os primórdio das pesquisas de Freud existente nessa época:

Charcot - só histéricos seriam hipnotizáveis.
Bernheim - todos seriam suscetíveis à hipnose.

Polêmica Sexualidade

  • 1886 -  Em recepção na casa de Chacot, este teria afirmado que a origem dos distúrbios nervosos seriam “sempre genital”.

Antes de Chacot - Crobak e Breuer (Segredos de Alcova) já falavam da problemática sexual ligada a distúrbios nervosos - neurastenia.

  • 1886 - Abril - Pede demissão do Hospital Geral - inicia clínica privada.

  • Breuer - O apresenta ao caso conhecido como Anna O. - 1890.

Caso fundador da psicanálise= expressão utilizada pela paciente Anna O. ->Limpeza de Chaminé . Primeiro caso clínico relatado -> deve-se a Breuer -> descreve o tratamento dado a Bertha Pappenheim, chamada de "Anna O." no livro.

  • Foi com as discussões de casos clínicos com Breuer que surgiram as idéias que culminaram com a publicação dos primeiros artigos sobre a psicanálise.

  • 1891 - Ganha o divã de presente de uma ex-paciente.

Segue pesquisas com Breuer e publicam juntos - Estudos sobre Histeria - 1895.

  • 1895 - Projeto para uma psicologia – importante obra onde poderemos encontrar apontamentos  para muitas das coisas que nos dias atuais se tem pesquisado.

Freud usou pela primeira vez o termo psicanálise em 1896 - primeiro em francês a seguir em alemão.

  • 1896 –  desfaz-se definitivamente da teoria da sedução.

Caso Elizabeth Von R. (obras completas - Estudos sobre Histeria) - Procura Freud  outono de 1892.
Segundo o próprio Freud - primeira psicanálise completa.
Segue suas pesquisas em sua concepção sobre a etiologia sexual das neuroses sobre seus primeiros achados sobre transferência.

  • 1895 - Modelos pré-científicos :

    • Modelo da Lagoa

    • Modelo da Cebola

Na verdade, a classe médica em geral acaba por marginalizar as idéias de Freud inicialmente; seu único confidente durante esta época é o médico Wilhelm Fliess. Depois que o pai de Freud falece, em outubro de 1896, segundo as cartas recebidas por Fliess, Freud, naquele período, dedica-se a anotar e analisar seus próprios sonhos, remetendo-os à sua própria infância e, no processo, determinando as raízes de suas próprias neuroses. Tais anotações tornam-se a fonte para a obra A Interpretação dos Sonhos.

Durante o curso desta auto-análise, Freud chega à conclusão de que seus próprios problemas eram devidos a uma atração por sua mãe e a uma hostilidade ao seu pai. É o famoso "complexo de Édipo", que se torna o coração da teoria de Freud sobre a origem da neurose em todos os seus pacientes.

Nos primeiros anos do século XX, são publicadas suas obras A Interpretação dos Sonhos e A Psicopatologia da Vida Cotidiana. Nesta época, Freud já não mantinha mais contato nem com Josef Breuer, nem com Wilhelm Fliess. No início, as tiragens das obras não animavam Freud, mas logo médicos de vários lugares — Eugen Bleuler, Carl Jung, Karl Abraham, Ernest Jones, Sandor Ferenczi — mostram respaldo às suas idéias e passam a compor o Movimento Psicanalítico.

1900 - Metapsicologia

 

Interpretação dos sonhos - Cap. VIII – Funda-se a metapsicologia denominada de Psicanálise

Ao descobrir o inconsciente (Ics), Freud propõe chamar sua psicologia de: METAPSICOLOGIA – ano -1900

Meta - Além

Inconsciente para Freud detendo os conteúdos mais importantes do funcionamento mental - abandonando-se a noção do inconsciente enquanto depósito de material abandonado.
Para entendermos para onde aponta essa metapsicologia, abordagem sem a qual não podemos falar de nenhuma pesquisa  em psicanálise temos que voltar a atenção para o que conceitualmente é definido como seus pontos de vista.

PONTOS DE VISTAS: Econômico(pulsional - catéxis – anti e hiper ); Dinâmico(estados do Ics ou Cs); Tópico(lugar) e Estrutural(Édipo, 2ª tópica)

Toda leitura que fazemos a partir da psicanálise partirá necessariamente de sua metapsicologia obedecendo sempre ao chamado de: pontos de vista, devendo então ser abordada por sua economia, dinâmica, tópica e estrutura.

Ao falarmos hoje em psicanálise torna-se necessário sublinhar sempre essa importante questão, por falta da aplicação das indicações da sua metapsicologia é que muito dos reducionismos são computados à sua leitura, de maneira obviamente equivocada.

A vida de Freud e o desenvolvimento de seus textos e achados se entrelaçam muitas vezes de maneira muito direta, ele busca em suas observações muito daquilo que estruturará no desenvolvimento de sua teoria, mas não poderá esse corpo teórico jamais ser reduzido ao que Freud, enquanto homem de seu tempo, viveu, como é a tentativa de muitos daqueles que querem encarar a psicanálise como apenas uma lenda criada por um homem atormentado. Nesse sentido a obra de Peter Gay sobre sua vida, “Freud – Uma Vida Para o Nosso Tempo”, se tornou, na atualidade, uma interessante contribuição, sua forma de narrar a vida de Freud e o desenvolvimento de seus achados teóricos é feita de maneira bem cuidada e envolvente. Citamos Peter Gay nessa passagem:

Muitos observadores, de fato, consideravam a psicanálise, assim como seu fundador, como um fenômeno não só urbano, mas especificamente vienense. Freud negava isto com veemência: quando o psicólogo francês Pierre Janet sugeriu que a psicanálise só poderia ter brotado na atmosfera sensual de Viena, Freud considerou a insinuação como uma injúria maliciosa e, no fundo, anti-semita. Na verdade, Freud poderia ter desenvolvido suas idéias em qualquer cidade que contasse com uma faculdade de medicina de primeira ordem e um público culto o suficientemente rico e numeroso que lhe trouxesse pacientes(...)suas teorias psicológicas viriam a se formar num universo intelectual suficientemente amplo para abarcar toda a cultura ocidental”.(Gay, P. pág 27)

Mas a biografia de Freud, autorizada com muita reserva por ele, foi primeiramente construída por seu colaborador e amigo Ernest Jones, obra essa que se constitui em leitura imprescindível para quem estuda psicanálise.

Freud inaugura sua metapsicologia, como citamos mais atrás, ponto aceito pelos estudiosos de sua obra, no capítulo VII da obra “A Interpretação dos Sonhos”(ano 1900). Teremos então, a partir daí, o desenvolvimento daquilo que será conhecido como a 1ª Tópica com suas instâncias – Inconsciente, Pré-Consciente- Consciente/Realidade. Acompanha esse desenvolvimento sua primeira postulação sobre a teoria pulsional, residindo aí sua primeira dualidade: Pulsões sexuais X Pulsões de auto-conservação, e explica a dinâmica e economia(catexis, anti-catexis e hiper-catexis) do funcionamento mental. Consideramos fundamental entender em profundidade os conceitos que envolvem  essa Tópica, para o entendimento de todos os constructos posteriores no texto freudiano. Ligado a esse entendimento a atenção para a questão dos representantes – ideativo e afetivo – que explicam todos os mecanismos e operações desempenhadas pelo aparelho psíquico. A importância de entendermos que o recalque se dá em relação à idéia( representante ou conteúdo ideativo) e que o afeto é energia livre que aparecerá ligado a algum outro conteúdo aceito pelo sistema Consciente. Ainda importante entender processo primário (energia livre) e processo secundário (energia ligada). Essas representações serão incorporadas posteriormente às instâncias da 2ª Tópica (Id, Ego, Superego/Realidade). Onde então, o Id será o mais próximo do conceito de Inconsciente da 1ª Tópica sendo que o ego (eu) e o superego (supereu) terão aspectos tanto inconscientes quanto pré-conscientes ou conscientes, que passarão a assumir então, o aspecto de qualidade(adjetivo) passando a ser nomeados de forma completa, ex: inconsciente. A abreviação deverá ser usada apenas quando se referir a lugar, ligada então a 1ª Tópica: Ics, Pré-Cs e Cs.
“... é ainda verdade que tudo que é recalcado é inconsciente, mas nem tudo que é inconsciente é recalcado”. (O Ego e o Id – vol XIX)

Paralelamente Freud desenvolve tudo que envolve a evolução do entendimento sobre o Complexo de Édipo e a teoria pulsional, essa última modificada de forma definitiva em 1920 com a publicação do polêmico texto (inclusive dentro da comunidade psicanalítica da época) o “Além do Princípio do Prazer).

Freud vai insistir cada vez mais no caráter parcialmente inconsciente das defesas e da resistência. Isso trará grande modificação para o entendimento da técnica porque Freud sublinhará cada vez mais o fato de que não bastava comunicar ao paciente a interpretação, mesmo que inteiramente   adequada, de determinada fantasia inconsciente, para o conduzir remodelações estruturais. A passagem à consciência não implica por si mesma uma verdadeira integração do recalcado no sistema Pré-Cs.  Ela deve ser completada por todo um trabalho que dissipe as Resistências  -  estabelecer ligação entre traços mnésicos inconscientes e sua verbalização. Está assim evidenciada a pedra  de sustentação do trabalho analítico o par transferência/resistência. Para entender a importância desses apontamentos recomendamos o texto “Psicanálise Silvestre(selvagem)”.

Freud percebe que existiriam muitos acontecimentos que obedecem ao Processo Secundário sem, no entanto, serem acessíveis à consciência  - Mecanismos de Defesa e Resistências.

Todos os processos que obedecem ao Processo Secundário que podem ou não ser conscientes, formam o Ego.

Todos os processos que obedecem ao Processo Primário formam o Id.

Id  -  Princípio do Prazer.

Ego - regula a motilidade voluntária obedecendo ao Princípio de Realidade.

Ego  -  parte do Id  -  modificada pela influência direta do mundo externo.

Para o Ego a percepção desempenha o papel que no Id cabe à Pulsão.

O Ego é primeiro e acima de tudo corporal”.

Vemos que, nesta divisão do aparelho psíquico, o inconsciente deixa de constituir um sistema próprio (O Inconsciente), visto que qualifica o Id, e, em parte, também o Ego e o Superego.

Ego se encontrará ameaçado por:

  • mundo externo

  • libido do Id

  • severidade do Superego

Freud estava especialmente interessado na dinâmica destas três partes da mente. Argumentou que essa relação é influenciada por factores ou energias inatas, que chamou de pulsões. Descreveu duas pulsões antagônicas: Eros, uma pulsão sexual com tendência à preservação da vida, e Thanatos, a pulsão da morte, que levaria à segregação de tudo o que é vivo, à destruição. Ambas as pulsões não agem de forma isolada, estão sempre trabalhando em conjunto. Como no exemplo de se alimentar, embora haja pulsão de vida presente, afinal a finalidade de se alimentar é a manutenção da vida, existe também a pulsão de morte presente, pois é necessário que se destrua o alimento antes de ingerí-lo, e aí está presente um elemento agressivo, de segregação.

Veremos, ligado a isso, os importantes conceitos como “formação de compromisso”, “formações substitutivas”, “formações reativas” ou “formação de sintoma”. Conceitos sem os quais o entendimento da psicopatologia psicanalítica fica impossibilitado.

Também de maneira continuada, Freud desenvolverá toda complexidade que envolve o Complexo de Édipo.

1º  Enfoque -  Interacionista -  1897  Mito de Édipo - pré existente

abordado em 1900  - Interpretação dos Sonhos
2º Enfoque -  Inter-subjetivo -  1921/23 Relações parentais - imagos
3º Enfoque -  Estrutural (Relações pré-edipianas)  - 1931
Saída do Complexo de Édipo - formação do Superego - Herdeiro do Complexo de Édipo - abandono do  incesto e a instituição da consciência e da moralidade. Premissa da Civilização(Cultura).

Complexo de Édipo

Primeira menção publicada do termo Complexo de Édipo – (Contribuições À Psicologia do Amor vol. XI - pág. 154). Freud abandona a teoria da sedução por volta de 1906 e a recoloca na leitura do Complexo de Édipo, sublinhando a questão das fantasias na criança.

 Primavera – primavera/verão de 1897 - inicia auto-análise após a morte de seu pai Jacob Freud - outubro 1896 -; a morte do pai foi para Freud uma profunda experiência emocional. Pensa-se que de forma ainda incipiente a teria iniciado já em meados dos anos 1890, anterior a esse episódio que marca definitivamente a busca de suas lembranças infantis.
Histórico de Freud e lembranças alcançadas em sua auto-análise:

  • Jacob Freud  casa-se com Amélia mãe de Freud em seu 3º casamento, ele vinte anos mais velho do que ela.

  • Freud primogênito e preferido - visto como uma grande promessa.

  • Irmão Julius dezessete meses mais novo, morre - Freud percebe em sua

auto-análise que na época nutriu verdadeiros “desejos malévolos e autêntico ciúme infantil”.
Segundo Peter Gay isso marcará definitivamente suas amizades em conjunto com o companheirismo que nutria em relação a seu sobrinho John, um ano mais velho do que ele. Diz Freud em correspondência com seu amigo Wilhelm Fliess acerca do entendimento quanto a essas lembranças alcançadas em sua auto-análise: “agora definem o que há de neurótico, mas também de intenso, em todas as minhas amizades”.

  • Dois meio-irmãos um mais velho e outro da idade de sua mãe.

  • Sobrinho Jonh companheiro de brincadeiras e um ano mais velho que Freud.

  • Base católica – sua babá, “1º mestre em questões sexuais” é presa por pequeno roubo e por influência de seu meio irmão perto do nascimento de sua irmã Anna.

  • Descobre por lembrança e conta a  Wilhelm Fliess , que por volta de dois, dois anos e  meio durante uma viagem noturna de trem o despertar de sua libido pela mãe ao vê-la nua.

  • Segundo Peter Gay esse fato, na verdade,  teria se dado quando Freud contava então com cerca de 4 anos.

  • Dois anos e meio nasce irmã Anna(1858) . Percebe que a rival sai de dentro do corpo da mãe e fantasia que seu meio irmão tem algo a ver com o fato.

  • Pai dócil e amável com idade para ser seu avô.

Com dez, doze anos seu pai leva-o em seus passeios e conta ao filho:
Quando eu era rapaz, num sábado, fui dar uma volta pelas ruas da cidade onde você nasceu, todo lindamente enfeitado, com um gorro de pele novo na cabeça. Então vem um cristão, de um lanço atira meu gorro no estrume e grita “Judeu, fora da calçada!”. Freud pergunta como seu pai reagiu. E veio calma a  resposta: “Desci para rua e apanhei meu gorro.”
Freud desenvolve sentimentos de vingança e a imagem do seu pai como dócil ou covarde - sentimentos ambivalentes.

  • 1897-  Transmite a Fliess descoberta da “paixão pela mãe e ciúme do pai”.

  • Sentimento de inferioridade

           
Lembra ainda que aos seis, sete anos urinou no quarto dos pais (o que viria a explicar em
sua teoria da sexualidade infantil).

Seu pai Jacob teria dito que ele nunca chegaria a nada; sempre que lembrava esta cena enumerava seus escritos “como a provar vitoriosamente ao pai que afinal chegara à alguma coisa.”
Suas descobertas remeterão a importantes conceitos como:

  • Romance familiar - atividade imaginativa. As lembranças são sempre alteradas.

  • Complexo de Édipo - entre três e cinco anos - coincide com a fase fálica.

  • Universalidade do Complexo de Édipo.

  • Interdição do incesto - formador da cultura.

1º enfoque do Complexo de Édipo tipos de escolha. (atividade patológica relacionada com fixação no protótipo materno)

  • Complexo de Castração - descrito em 1908: relacionamento com o primado do pênis nos dois sexos.

2º  enfoque - Centrado no sujeito que tem um Édipo, mas este sujeito se forma a partir das relações com pais.
Centrado no sujeito que tem um Édipo, mas este sujeito se forma a partir das relações com pais.

  • Complexo de Édipo completo  - tese da bissexualidade. Complexo de Édipo positivo e negativo ou  ainda,   correntes  masculina  e feminina.

positivo - Mito de Édipo
negativo - amor pelo progenitor do mesmo sexo e hostilidade pelo do sexo oposto.
Possibilidades de investimento ou identificação em ambas as direções.

3º Enfoque - Estrutural (relações pré-edípicas) – (por volta de 1931)

  • Fase pré-Edipiana

Predomina nos dois sexos o apego a mãe. Situação interpessoal - ausência do triângulo Edipiano.
Discussão sobre a vivência do desmame como traços do Complexo de Castração. Mas, para Freud - Complexo de Castração só poderá ser descrito na fase fálica. Situação triangular colocada então.
Dessa forma podemos apresentar, de forma bastante resumida, o desenvolvimento do texto freudiano com conceitos que são fundamentais nele, faltando ainda pontuar o desenvolvimento complexo da teoria pulsional, parte essencial de toda metapsicologia freudiana. Podemos ver o desenvolvimento da teoria de forma bastante ligada às descobertas de Freud a partir de suas lembranças e observação de fatos cotidianos, muitos outros ainda podem ser entrelaçado.

Sabemos  também que, quanto a apresentação da sexualidade infantil, o fará de forma bastante polêmica em seu texto de 1905 “Três Ensaios sobre a teoria da Sexualidade”(vol. VII). Texto esse que lhe rendeu muitas críticas desfavoráveis, acusações nada lisonjeiras e um certo isolamento do meio científico e social.

Embora tudo isso, Freud trazia uma convicção inatingível em relação as suas descobertas e um espírito nada afeito a pusilanimidade, segundo ele mesmo irá declarar em seu texto “Psicologia das Massas e Análise do Ego”. Diz Peter Gay a respeito desse traço da personalidade de Freud, ligado a algo que o remete à narrativa do episódio de seu pai com o gorro e o ataque dos cristãos, relatado anteriormente nesse texto e relativo as suas lembranças de sua auto-análise:

Eles nunca veriam a ele, Freud, apanhando seu gorro da sarjeta imunda. Este era o garoto que, aos catorze anos, desempenhou o papel de Brutus, num monólogo em ‘Os Bandoleiros’, a peça revolucionária de Friedrich Schiller. Desde os dias de sua infância, uma demonstração categórica de independência intelectual, raiva controlada, coragem física e respeito próprio enquanto judeu uniram-se num amálgama extremamente pessoal e indestrutível no caráter de Freud”.(pág.29)

Essa mesma disposição para nunca se entregar o fez demorar-se a aceitar se refugiar do regime nazista e cunhou a frase memorável em relação à exigência que lhe fora feita à época para deixar a Áustria, sobre o fato de não ter sido maltradado. Disse Freud então: “-Posso recomendar a Gestapo a todos – Ick kann die Gestapo jedermann auf das beste empfeblen.

Freud era um homem altivo, confiante e guardava em si ambições  que  podem ter se originado na crença que sua família de origem sempre depositou nele, havia grande esperança e expectativa em relação ao seu futuro. Cresce em um ambiente financeiramente desfavorável, mas cercado de regalias que somente a ele eram designadas dentro desse núcleo parental, como, por exemplo, ser o único da casa a possuir um cômodo só para si, designado de ‘escritório’, onde Freud era cercado de livros, recebia colegas de escola para estudos e muitas vezes fazia suas refeições para não se afastar da leitura. Sobre as lembranças desse período de infância e a situação familiar de Freud, poderemos pensar algo que aponta para aquilo que depois nomeará, conceito fundamental em psicanálise, de romance familiar, que aponta para uma tendência que todos temos em achar que os pais seriam mais prósperos ou famosos e importantes do que na realidade o foram. Mas sua infância e adolescência foram modestas, com a família vivendo de maneira sempre muito restrita financeiramente.

Maturidade de Freud e da psicanálise


Freud ao longo de sua vida passará, ele mesmo, por inúmeras dificuldades financeiras, o que em nenhum momento o fez desistir de suas convicções. Josef Breuer foi um aliado de Freud em suas idéias e também um aliado financeiro. Ao iniciar sua clínica(1886) pôde contar com ajuda substancial vinda de  Breuer e Nothnagel que enviaram a Freud, em sua primeira clínica situada o endereço: Rathhausstrasse nº 7, muitos pacientes sendo alguns deles pagantes.

De volta ao Hospital Geral e entusiasmado pelos estudos de Charcot, Freud passa a atender, na maior parte, jovens senhoras judias que sofriam de um conjunto de sintomas aparentemente neurológicos que compreendiam paralisia, cegueira parcial, alucinações, perda de controle motor e que não podiam ser diagnosticados com exames. O tratamento mais eficaz para tal doença incluía, na época, massagem, terapia de repouso e hipnose.

Com o desenvolvimento de sua clínica e o dote e presentes generosos de parentes de sua noiva Marta Bernays, pôde finalmente casar-se(1886), como era seu sonho acalentado já há algum tempo. Depois de um ano de casamento( pôde dar a notícia alegre do nascimento de sua primeira filha, Mathilde(1887), nome escolhido em homenagem a amiga Mathilde Breuer. O nome do segundo filho, Oliver(1891), foi dado em homenagem ao admirado Oliver Cromwell. “Os Freud tiveram seis filhos em nove anos”. Anna Freud, a caçula, nasce em 1896. “Apesar de seu amor pelos livros” Marta, mulher de Freud, “não era uma companheira para o marido, em seu longo e solitário avanço rumo à psicanálise”. Tudo que Freud produziu antes da sua metapsicologia,  seus filhos Anna e Ernst não autorizaram que fosse conhecido. Muito desse período estaria contido em sua correspondência com Fliess a qual Freud nunca quis ver publicada e que Marie Bonaparte resgatou e depositou para a posteridade em um cofre de banco, a ser aberto após 80 ou 100 anos da morte dele.

Freud teve seis filhos: Mathilde, 1887, Jean-Martin, 1889, Olivier,1891, Ernst, 1892, Sophie, 1893 e Anna, 1895. Um deles, Martin Freud, escreveu uma memória intitulada Freud: Homem e Pai, na qual descreve o pai como um homem reservado, porém, amável, que trabalhava extremamente, por longas horas, mas que adorava ficar com suas crianças durante as férias de verão.
Freud foi um cientista dedicado, um médico diligente e responsável e, também, um homem de família, esteve presente sempre com amor e dedicação aos seus filhos. Descreve assim Peter Gay essa sua característica:

Freud não deixava dúvidas de que era apegado a todos os filhos e se preocupava com eles. Vimos que, quando seu filho adolescente Martin, humilhado num rinque de patinação, precisou do apoio paterno, ele estava ali, paciente, sem censuras, receptivo. Quando Mathilde adoeceu inesperadamente no verão de 1912, ele cancelou uma viagem a Londres como algo absolutamente natural, muito embora estivesse antecipando ansiosamente uma nova visita à Inglaterra. Da mesma forma, gostava visivelmente de sua atraente Sophie, e, mais discretamente, preocupava-se com o sofrimento neurótico de Oliver(...)Mas com toda a sua equanimidade, Freud veio a reconhecer que a caçula, Anerl, era muito especial. ‘A pequena’, observou a Ferenczi durante a guerra, usando um diminutivo predileto para ela, ‘é uma criatura particularmente querida e interessante’. Ele chegou a admitir que Anna era talvez a mais querida, e certamente mais interessante do que os irmãos e irmãs”.(pág.393)
Anna Freud, filha de Freud, foi também uma psicanalista destacada, particularmente no campo do tratamento de crianças e do desenvolvimento psicológico. Sigmund Freud foi avô do pintor Lucian Freud e do ator e escritor Clement Freud, e bisavô da jornalista Emma Freud, da desenhista de moda Bella Freud e do relacionador público Matthew Freud.

Como sabemos Anna Freud foi uma figura importante também para o desenvolvimento da psicanálise, principalmente da linha que cuida da clínica infantil e que descreverá os mecanismos de defesa do ego. Para seu pai Freud, Anna dedicará seus cuidados e atenção, passando inclusive a desempenhar no lugar de sua mãe Martha, a função de cuidados em relação a tudo que cercava seu pai. Fez Freud prometer a ela que sempre a chamaria onde quer que ela se encontrasse, quando precisasse  de cuidados: “Prometa-me que se algum dia ficar doente e eu não estiver, o senhor vai me escrever imediatamente para que eu possa vir”.(Gay, P. pág 392)  Alguns comentadores da vida de Freud estranham, inclusive, que ele tenha desobedecido a um apontamento importante da técnica psicanalítica ao conduzir a análise de Anna.

Sem dúvida os anos de guerra mobilizaram muitas angústias em Freud por conta da preocupação com seus filhos. Pensou e escreveu muito sobre muito do que analisava como o que encaminharia a humanidade para a guerra ou ainda para longe dela. Parte imperdível dessas reflexões, estão contidas na correspondência com Einstein, sobre as causas da guerra. Leitura imprescindível para quem estuda o texto freudiano.

Teoria pulsional


Voltemos então para a teoria psicanalítica, agora em sua parte mais controversa, a definitiva formulação da teoria pulsional, apresentada por Freud em 1920 no texto já citado “Além do Princípio do Prazer”(1920) ou mais corretamente para além do princípio do prazer.

Nessa formulação Freud propõe uma dualidade entre Pulsões de vida(engloba aí pulsões sexuais e de auto-conservação) X Pulsão de morte (com o conceito de compulsão à repetição): Eros X Thantatos.

  • “Foi em Para Além do Princípio de Prazer - 1920 que Freud introduziu a grande oposição, que iria sustentar até o fim da sua obra, entre Pulsões de Morte e Pulsões de Vida” (Laplanche e Pontalis)

Teses que levaram Freud a postular a existência da Pulsão de Morte:

  • Compulsão à Repetição (Princípio de)

O que permaneceu incompreendido retorna; como uma alma penada, não tem repouso até encontrar resolução e libertação”   -   Freud

  • Brincadeiras infantis  -  desaparecimento e retorno  -  1º ato mais repetido

.tendências além do Princípio de Prazer
“... tendências mais primitivas do que ele e dele independentes.”  -   Freud

  • Transferência e Acting

  • Repetição ao invés de recordação

  • Neurose primitiva substituída pela Neurose de Transferência

. “É obrigado a repetir o material como se fosse uma experiência contemporânea, em vez de, como o médico preferiria ver, recordá-lo como algo pertencente ao passado

  • Vida de homens e mulheres  -   Freud observa e vê o que tem de repetitivo

            “Assim encontramos pessoas em que todas as relações humanas  têm o mesmo resultado...”
A impressão que dão é de serem perseguidas por um destino maligno ou possuídas por algum poder demoníaco; a psicanálise, porém, sempre foi de opinião de que seu destino é, na maior parte arranjado por elas   próprio e determinado por influências infantis primitivas

  • Princípio de Compulsão a Repetição não é antagônico  ao   Princípio de Prazer. Está segundo Freud para além do Princípio de Prazer - Compulsão à Repetição aferrando-se ao Princípio de Prazer.

  • Três evidências clínicas apoiaram a busca de Freud em direção a proposição da Pulsão de Morte:

. Masoquismo
. Reação Terapêutica Negativa
. Sentimento de culpa dos neuróticos.

  • Em lugar do Princípio de Constância que está ligado ao Princípio de Prazer - descarga - para a Pulsão de Morte é proposto o Princípio de Nirvana (Bárbara Low) que expressa a tendência à inércia característica da Pulsão de Morte.

  • Termo Libido - energia pulsional do aparelho psíquico - serve para designar Pulsão de Vida   

  •         ou Pulsão de Morte.

  • Princípio de Nirvana equivalente ao Princípio de Inércia - energia igual a zero

  • Masoquismo primário 1915 - tendência anterior (inata) à destruição

  • Sadismo (após 1920) - uma derivação para o objeto da Pulsão de Morte que originariamente

  •          visa destruir o próprio indivíduo.                                               

Pulsão de morte

 

  • THANATUS

  • Procura restaurar o estado do inanimado, porém a seu próprio modo

O que nos resta é o fato de que o organismo deseja morrer apenas do seu próprio modo”(Freud)

  • Pulsões que tendem para redução completa das tensões - estado anorgânico

  • Voltadas inicialmente para o interior - masoquismo primário

  • Secundariamente dirigidas para o exterior - pulsão agressiva ou destrutiva . Pulsão agressiva - sofre influência da libido narcísica para ser aproveitada no sentido de um objetivo

. Necessária para a realização do indivíduo

  • Base teórica para a ambivalência - fusão das pulsões.

  • Fusão -  não há como fazer um desligamento entre as duas pulsões - cada uma das duas pulsões pode entrar em proporções variáveis.

  • Desfusão -  funcionamento separado das duas espécies de pulsões, em que cada uma procuraria atingir o seu próprio alvo de forma independente

ex.: a ambivalência do neurótico obsessivo é para Freud um  dos    melhores exemplos de desfusão das pulsões.

  • Pulsão de Morte é necessária para a pulsão sexual - a agressividade intervém a serviço da pulsão sexual .

  • busca de objetivo

  • dominação do objeto

    As modificações nas proporções das pulsões que estão fundidas  podem ter  as conseqüências mais nítidas.  Um excedente da agressividade sexual  faz de um apaixonado um assassino sádico, e uma forte   diminuição do  fator agressivo torna-o tímido ou impotente”  -  (Freud)

Dessa forma apresentamos todos os conceitos mais elementares da psicanálise freudiana. Como dissemos antes nesse texto, sua forma de apresentação foi infinitamente reduzida, constituindo-se muito mais em um roteiro para estudos do que propriamente uma explicação dessa complexa teia conceitual da qual nos falou Freud ao longo de muitas décadas. Se o leitor se perguntar sobre o que nos moveu à confecção desse texto aqui apresentado? Diremos que foi a paixão pelo texto freudiano, a admiração pelo homem de seu tempo, Sigmund Freud e a esperança de que todos aqueles que resolvam nomear-se de psicanalista busquem conhecer em profundidade a origem e beleza conceitual contida em toda obra apresentada enquanto a psicanálise de Freud.


Assim como Freud mais de uma vez disse que podia lidar com seus inimigos; que o que o inquietava eram seus amigos; pensamos que hoje o que mais nos pode inquietar não vem dos que atacam a consistência dos textos freudianos, mas vem daqueles que de maneira reducionista se referem aos seus conteúdos. Como nos fala ainda Peter Gay: “a criação de Freud, a psicanálise, afinal está comprometida com a mais impiedosa investigação; ela se apresenta como a nêmesis do ocultamento, da hipocrisia, dos subterfúgios polidos da sociedade burguesa. Com efeito, Freud sentia considerável orgulho em ser o destruidor das ilusões, o servo fiel da veracidade científica”.(pág. 15)
Ou ainda: “É um lugar comum que, hoje em dia, todos nós, reconheçamos ou não, falamos freudianamente”.

 

 

 

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